Cargas mais roubadas nas estradas: tendências para 2026

Por Katia Abade | 4min. de leitura Publicado em 20/04/2026
As cargas mais roubadas nas estradas e tendências para 2026

Se você atua com transporte ou logística, sabe que o roubo de carga não representa apenas um dado estatístico.

Ele gera prejuízo direto, interrompe operações e aumenta a pressão sobre toda a cadeia produtiva.

O cenário mudou: criminosos estão mais especializados, focando menos em volume e mais em valor agregado.

O cenário atual: redução nas ocorrências, mas prejuízo ainda elevado

Há um dado positivo, mas ele exige cautela.

Segundo o levantamento anual da NTC&Logística, em 2025 foram registradas 8.570 ocorrências de roubo de carga no Brasil, uma redução de 16,7% em relação ao ano anterior.

Apesar da queda no volume, o impacto financeiro segue alarmante.

O prejuízo direto estimado é de R$ 900 milhões, mas quando somamos custos operacionais, reajustes de seguros e impactos logísticos, o montante ultrapassa R$ 1 bilhão.

Isso prova que as quadrilhas estão selecionando melhor seus alvos, priorizando cargas com maior ticket médio.

Quais cargas estão mais visadas?

O perfil das mercadorias roubadas mudou ao longo dos últimos trimestres, exigindo atenção redobrada de embarcadores e transportadoras.

Os criminosos priorizam itens de alta liquidez e fácil escoamento no mercado paralelo.

De acordo com o Relatório da nstech de Roubo de Cargas (fechamento 2025), o ranking das cargas mais visadas foi:

Ranking das cargas mais roubadas

Carga Fracionada: 42,9% das ocorrências (impulsionada pela capilaridade do e-commerce).

Alimentos: 19,9%.

Eletrônicos: 11,9% (com destaque crítico para o estado do Tocantins).

Higiene e Limpeza: 9,0%.

Cigarros: 7,0%.

Medicamentos: 4,7%.

Rodovias e padrões operacionais críticos

Os incidentes concentram-se em áreas urbanas e metropolitanas, especialmente próximas a centros de distribuição e na BR-101.

O Sudeste responde por 86,8% dos casos, com Rio de Janeiro (3.777 ocorrências) e São Paulo (3.470 ocorrências) concentrando mais de 80% do total nacional.

Os períodos de maior risco são as manhãs e os dias úteis do meio da semana, reforçando a necessidade de roteirização dinâmica e escoltas estratégicas baseadas em dados.

Fontes de dados e projeções setoriais para 2026

As análises para o ano corrente baseiam-se nos indicadores de sinistralidade do mercado e nas diretrizes de segurança pública estabelecidas no portal do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

  • Aumento da severidade: Projeta-se a manutenção na queda do volume total de casos, mas com alta no prejuízo médio devido ao foco criminoso em insumos farmacêuticos e tecnologia.
  • Interiorização do risco: Observamos uma migração das abordagens para eixos logísticos secundários, visando contornar o monitoramento intensivo das capitais.
  • Integração de inteligência: O foco para 2026 é a cooperação em tempo real entre forças de segurança e gerenciadoras de risco.
  • Combate à receptação: Intensificação da fiscalização em centros de distribuição e comércios locais para desarticular o destino final das mercadorias.
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